Patrono: Tito Madi
Cadeira: 20
Seção: Artes
Chauki Maddi, de nome artístico Tito Madi (Pirajuí, 12 de julho de 1929– Rio de Janeiro, 26 de setembro de 2018) foi um cantor e compositor que fez sucesso durante as décadas de 1950 e 1960 como intérprete e compositor de sambas-canções.
Foi gravado por diversos artistas dentro e fora da Bossa Nova e é até hoje lembrado como compositor significativo nas carreiras de vários cantores, como Roberto Carlos e Wilson Simonal.
Compositor da geração pré-bossa nova, teve influência sobre o movimento, com sambas-canções de harmonização moderna como “Cansei de Ilusões”, “Sonho e Saudade”, “Carinho e Amor”, “Fracassos de Amor”, “Gauchinha Bem-Querer”, “Não Diga Não”, “Balanço Zona Sul” e seu maior sucesso, “Chove Lá Fora”.
Tito Madi nasceu como Chauki Maddi em 12 de julho de 1929, filho de um casal de libaneses (Nemer Maddi e Cármen Filipe Maddi), tendo quatro irmãos e uma irmã. A família morava nos arredores da cidade e Nemer trabalhava como chacareiro.
Na adolescência, Chauki demonstrou talento para o futebol, sendo convidado a integrar as equipes profissionais do Pirajuí Atlético Clube e depois o Fortaleza Esporte Clube (de Piracicaba).
Começou a se Interessar pela música por influência do pai, que tocava alaúde e iniciou os filhos em vários instrumentos. Chauki furtava o violão do irmão mais velho, Ramez, e tentava aprender a tocar sozinho. Ramez não gostou de descobrir que o irmão tocava seu instrumento escondido, mas por incentivo da mãe, e após ver que Chauki levava jeito, decidiu incentivá-lo a continuar tocando.
Embora na pré-adolescência ele já se apresentasse na escola, nem ele nem a família pensavam em fazer da música sua profissão; seguir a profissão do pai ou abraçar o futebol pareciam ser os dois caminhos que ele poderia escolher.
Quando ainda contemplava o futebol como possibilidade de trabalho, Chauki e seus irmãos tiveram a ideia de criar o serviço de alto-falantes chamado “A Voz de Pirajuí”. Era uma rede de alto-falantes instalados na praça central da cidade que reproduziam músicas dos cantores populares da época (Orlando Silva, Francisco Alves, Francisco Canaro, Gregório Barrios, Carmen Miranda, entre outros). Apresentavam comerciais e liam recados dos ouvintes entre uma sequência de canções e outra.
Em 1946, a Rádio Pirajuí, pertencente às Emissoras Unidas, recebeu permissão para operar e iniciou suas transmissões no dia 23 de janeiro do ano seguinte. Por sua experiência com os alto-falantes, os irmãos Maddi foram contratados para trabalhar na emissora.
Chauki trabalhava como locutor, programador, redator, criador de mensagens publicitárias e cantor. Paralelamente às atividades no rádio, estudou numa Escola Normal com o objetivo de virar professor. Chegou a ser convidado por um amigo em 1954 a lecionar matemática (disciplina que detestava) em Cornélio Procópio, no estado do Paraná, mas no meio da viagem desistiu e decidiu que queria mesmo era continuar em São Paulo para seguir carreira artística.
Primeiros trabalhos no rádio
Na capital do estado, Chauki adotou o nome artístico Tito Madi, sendo Tito um apelido que recebera na infância e Madi apenas uma variação mais breve de seu sobrenome.
Tito iniciou uma excursão pelas rádios paulistanas em busca de oportunidades. Conversou com Blota Júnior e Manuel de Nóbrega, mas nenhum deles se entusiasmou com seu trabalho.
Contudo, a filha da dona da pensão onde ele estava na época, que era pianista, ouvi-o cantar ao violão e o convidou a conhecer um primo dela que trabalhava na Rádio Ribeiro Filho. Dias depois, o radialista lhe arranjou um teste com o maestro Georges Henry, da Rádio Tupi. Após mostrar-lhe três composições suas, Tito foi contratado pela emissora, inicialmente de forma voluntária, mas semanas depois com o pagamento de um salário fixo.
Primeiras gravações
Em 4 de junho de 1954, Tito registrou seu primeiro álbum, gravado com a orquestra de Luis Arruda Paes, contendo “Não Diga Não” e “Pirajuí”. O disco, editado pela Continental, faz sucesso e Tito ganha um prêmio de revelação do ano. Buscando mais visibilidade, decide se mudar para o Rio de Janeiro.
Entretanto, por não ser ainda conhecido na então capital brasileira, teve de empreender uma nova rodada de visitas a rádios. Na Rádio Tupi local, consegue um contrato para se apresentar em parceria com Gilvan Chaves, por meio do qual consegue ainda um outro trabalho: o de músico do Scotch Bar.
“Chove Lá Fora” e ganho de popularidade
Em 1955, participou da festa de aniversário da Rádio Farroupilha e, por ocasião da mesma, compôs “Gauchinha Bem Querer”, que ele registraria mais tarde juntamente a seu trabalho mais conhecido, a valsa “Chove Lá Fora”. O sucesso do compacto abriu caminho para o lançamento do seu primeiro álbum, intitulado com o nome daquela canção e no qual é acompanhado pelo pianista Ribamar e o seu conjunto. A música teve, ainda, uma versão em inglês, com o nome “It’s Raining Outside”, gravada por Della Reese e The Platters, e outra em espanhol (“Llueve Afuera”), além de vir a ser regravada pelos mais diversos artistas da época e posteriores.
“Chove Lá Fora” deu um impulso em sua carreira e o transformou na voz do momento. Recebe diversos prêmios de melhor compositor da temporada, prêmio de Disco de Ouro do jornal O Globo e medalhas das Associadas e da Revista do Rádio — esta última recebida das mãos do então presidente do Brasil, Juscelino Kubitschek.
Nessa época, Tito começou a se estabelecer como cantor de boates, iniciando uma bem-sucedida e duradoura parceria com o pianista Ribamar. Depois do Scotch Bar, passou ainda pelo Jirau, Little Club e Cangaceiro.
Em 1959, muda para a gravadora Columbia Records e passa a trabalhar com o maestro Radamés Gnattali. Em 1961, troca novamente de gravadora, indo para a CBS, gravadora na qual passa a trabalhar com o maestro Lyrio Panicali.
Dos anos 60 aos 2000, novos gêneros e movimentos musicais começam a tirar a dominância do samba nas rádios: rock, MPB, Bossa Nova, Jovem Guarda, Tropicália, soul, funk e rap. Tito, contudo, opta por continuar cantando samba, mesmo que isso implique um menor sucesso.
Em 1963, Wilson Simonal grava várias músicas suas nos seus primeiros compactos, culminando com a gravação de Balanço Zona Sul no seu álbum de estréia, Tem “Algo Mais”, obtendo êxito radiofônico e tornando-se o primeiro sucesso do cantor carioca. A proximidade com a gravadora de Simonal faz com que Tito mude-se para a EMI-Odeon, continuando a trabalhar com Lyrio Panicalli, mas também com o jovem Eumir Deodato. Ficaria na Odeon até 1976 (com breve passagem na RCA Victor, em 1968), sempre com lançamentos com boas vendagens e compondo novas músicas. A partir desta data, seus discos e músicas inéditas começam a rarear, mas continuava fazendo shows pelo país. Em 2001, lançou Ilhas Cristais. Seu derradeiro disco foi Quero te Dizer que te Amo, de 2015. A cantora Nana Caymmi prepara álbum dedicado ao repertório de Tito, ainda inédito.
Discografia
78 rpm
Estúdio
Ao vivo
Coletâneas
Filmografia
Bibliografia