Salim Miguel (Kfarsaroun, Distrito de Koura, Líbano, 30 de janeiro de 1924 – Brasília, 22 de abril de 2016) foi um escritor brasileiro nascido no Líbano, vencedor do Prêmio Machado de Assis em 2009.
Filho de um professor primário, nasceu em uma família de cristãos ortodoxos e chegou ao Brasil aos três anos de idade. A família residiu inicialmente no Rio de Janeiro e depois se estabeleceu em Biguaçu, próxima a Florianópolis. Salim Miguel foi um dos mais destacados escritores de Santa Catarina e cofundador do Grupo Sul, ao lado de Walmor Cardoso da Silva e de sua companheira, Eglê Malheiros. Pertenceu ao corpo editorial da revista Ficção (Rio de Janeiro, 1976-1979), foi diretor executivo da Editora da UFSC e presidente da Fundação Cultural Franklin Cascaes. Também atuou como co-roteirista nos filmes O Preço da Ilusão, A Cartomante e Fogo Morto.
Sua obra literária é vasta e inclui títulos como: Velhice e outros contos (1951), Alguma gente (1953), Rede (1955), O primeiro gosto (1973), A morte do tenente e outras mortes (1979), A voz submersa (1984), Dez contos escolhidos (1985), O castelo de Frankenstein (1986 e 1990), As várias faces (1994), Primeiro de abril, narrativas da cadeia (1994), As desquitadas de Florianópolis (1995), Onze de Biguaçu mais um (1997), As confissões prematuras (1998), Nur na escuridão (1999), Eu e as corruíras (2001), Mare Nostrum (2004), O sabor da fome (2007) e Jornada com Rupert (2008), entre outros.
O livro Eu e as corruíras (2001) rendeu a Salim o prêmio Juca Pato de Intelectual do Ano (2002), concedido pela União Brasileira de Escritores em parceria com o jornal Folha de S.Paulo. A Academia Brasileira de Letras o homenageou com o Prêmio Machado de Assis em 2009.
Além de escritor, Salim Miguel teve longa atuação como jornalista, foi proprietário de livraria e editora e aposentou-se como funcionário público. É considerado, depois de Cruz e Sousa, o mais importante escritor de Santa Catarina e a principal personalidade cultural catarinense do século XX.
Residia em Florianópolis, próximo à UFSC, e possuía casa de veraneio em Cachoeira do Bom Jesus. A partir de 2005, começou a perder a visão e ficou cego.