ODETTE EID

PATRONA

ODETTE EID

Patrona: Odette Eid

Cadeira: 08

Seção: Artes

Odette Eid, nome artístico de Odette Haidar Eid (Zahlé, 7 de março de 1922 – São Paulo, 13 de julho de 2019), foi uma escultora libanesa radicada no Brasil desde a infância. Imigrou para São Paulo aos três anos de idade, onde desenvolveu sua formação artística e construiu toda a sua carreira.

Influenciada pela mãe, pintora autodidata, demonstrou desde cedo talento para as artes, embora tenha adiado os estudos artísticos formais por razões financeiras e familiares. Já adulta, realizou diversos cursos em arte, história da arte e folclore brasileiro, ampliando sua formação intelectual e estética.

Após enfrentar um câncer de mama aos 52 anos, passou por uma fase de renovação pessoal e artística, realizando viagens pelo Líbano, Oriente Médio, Europa, Ásia e Américas, onde visitou museus e coleções internacionais. Em 1982, iniciou sua produção autoral com bonecas escultóricas e, posteriormente, dedicou-se à escultura em bronze, consolidando-se como artista com exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior.

Em 1995, realizou uma importante retrospectiva no Museu Brasileiro da Escultura (MuBE), acompanhada do lançamento do livro Odette, Escultura. A partir dos anos 2000, passou a lecionar escultura e a explorar a arte digital. Sua obra, marcada pela irreverência e pela mistura de materiais, ganhou destaque em exposições como Cabeças e Reminiscências (2007) e no livro Minhas Cabeças (2008).

As obras de Odette Eid integram acervos públicos e coleções particulares em diversos países. Em 2017, recebeu homenagem do CONSCRE, da Assembleia Legislativa de São Paulo. Mesmo com limitações físicas decorrentes da mastectomia, manteve intensa produção artística até o fim da vida.

Em 26 de março de 2022, Santo Antônio do Pinhal (SP) inaugurou um museu a céu aberto dedicado à sua obra, como parte das comemorações do centenário da artista.

Produção artística e fases da obra

Os trabalhos em alumínio de Odette Eid têm como tema principal flores e pássaros estilizados ou imaginários. Essas obras foram apresentadas pela primeira vez em 2005, na exposição Aluminagem, realizada no SESC Ipiranga, em São Paulo. Atualmente, parte desse conjunto integra o museu a céu aberto do Parque da Luz, ligado à Pinacoteca do Estado de São Paulo.
Um vídeo animado acessível em Libras, intitulado Botão de Rosa – Odette Haidar Eid, disponível no YouTube, apresenta aspectos de sua vida e dessa produção artística.

Bonecos – Primeira fase (a partir de 1982)

Os pequenos bonecos criados no início de sua carreira apresentam caráter lúdico, surrealista e humorado, com cores vibrantes. As figuras exibem bocas com cabeças no lugar dos dentes e corpos esféricos, dotados de múltiplas cabeças e pernas.

Bonecos – Segunda fase

Na segunda e última fase, os bonecos mantêm o humor da etapa inicial, acrescido de insolência e deboche, com forte diálogo com o folclore brasileiro. Esses trabalhos foram exibidos pela primeira vez em agosto de 2007, na mostra Cabeças e Reminiscências, no Espaço Cultural V Centenário da Assembleia Legislativa de São Paulo, durante o Mês do Folclore.
Em 2008, a coleção foi apresentada no Museu de Arte da Bahia e na Galeria Estação, em São Paulo, sob o título Minhas Cabeças.

Instalações e outros trabalhos

Em dezembro de 2002, Odette apresentou um presépio de tecido reciclado na Estação do Metrô São Bento, em São Paulo. A obra incluía bonecos de até 2,40 m de altura, confeccionados com tecidos, bijuterias, jornais e materiais de construção.

Em seu sítio Riacho Doce, em Santo Antônio do Pinhal (SP), realizou instalações inspiradas na Land Art, utilizando materiais naturais. Embora essas obras tenham desaparecido com o tempo, foram registradas em um ensaio fotográfico de Rômulo Fialdini, ainda inédito.

A artista manteve dois ateliês:

  • Atelier Amarilis, em São Paulo, onde lecionou e preservou parte de sua obra;

  • Atelier Riacho Doce, em Santo Antônio do Pinhal, concebido como um museu a céu aberto privado, que abriga seu maior acervo.


Prêmios e homenagens (seleção)

  • 1984 – Medalha de Prata, Galeria Arte Skultura, São Paulo

  • 1986 – Grande Medalha de Ouro, I Mostra de Arte Contemporânea Brasil/EUA, Tampa (EUA)

  • 1986 – 2º e 3º prêmios, XIX Chapel Art Show, São Paulo

  • 1987 – 1º Prêmio, XX Chapel Art Show, São Paulo

  • 1987 – 1º Prêmio, Bienal do Annuario Latino-Americano de Artes Plásticas, Buenos Aires

  • 1987 – Medalha de Ouro, Acropolis Salle de Exposition, Nice (França)

  • 1999 – Menção Honrosa, Fundação Mokiti Okada MOA, São Paulo

  • 2003 – Homenagem no Dia da Mulher, Centro Cultural Árabe Sírio, São Paulo

  • 2017 – Homenagem da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo


Exposições individuais (seleção)

No Brasil

  • 1983 – Chelsea Art Gallery, São Paulo

  • 1987 – FAAP, São Paulo

  • 1995 – Museu Brasileiro da Escultura (MuBE), São Paulo

  • 2005 – Aluminagem, SESC Ipiranga, São Paulo

  • 2007 – Cabeças e Reminiscências, ALESP, São Paulo

  • 2008 – Minhas Cabeças, Museu de Arte da Bahia

  • 2017 – Pássaros, Galeria Estação, São Paulo

No exterior

  • 1989–1991 – Galerie Liliane François, Paris

  • 1992 – Galerie du Théâtre, Perpignan (França)

  • 2000–2005 – Espace Quadra, Paris


Exposições coletivas internacionais (seleção)

Participou de importantes exposições coletivas na França, Estados Unidos, Argentina, Portugal e Alemanha, incluindo eventos no Grand Palais (Paris), no Brazilian-American Cultural Institute (Washington) e no United States District Court.


Obras em coleções (seleção)

Suas obras integram acervos institucionais e corporativos no Brasil e no exterior, entre eles:
Banco Audi (EUA), Banco Safra, IBM do Brasil, American Express, Firestone, Philips Morris, Sultan Lines (Grécia) e Club Atlético Paulistano.