
Patrono: Adib Jatene
Cadeira: 04
Seção: Ciências

Adib Domingos Jatene (Xapuri, 4 de junho de 1929 — São Paulo, 14 de novembro de 2014) foi médico, professor universitário, pesquisador e inventor brasileiro, reconhecido internacionalmente por suas contribuições à cirurgia cardiovascular e à gestão pública da saúde.
Filho de imigrantes libaneses, nasceu em Xapuri, no estado do Acre. Perdeu o pai aos dois anos de idade, que atuava como comerciante ligado ao fornecimento aos seringais. Concluiu o ensino primário no Acre e, posteriormente, mudou-se para Uberlândia, onde cursou o ginásio e o primeiro ano do científico. Em seguida, transferiu-se para São Paulo, onde iniciou estudos de engenharia no Colégio Bandeirantes, curso que abandonou para ingressar na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), na qual se formou e, mais tarde, tornou-se professor.
Ainda durante a graduação, a partir do quarto ano, passou a atuar em cirurgia e integrou o grupo do professor Euryclides de Jesus Zerbini, participando, em maio de 1951, da primeira cirurgia de estenose mitral realizada por Zerbini, ocasião em que atuou como instrumentador. Realizou toda a sua formação de pós-graduação no Hospital das Clínicas da USP, sob a orientação de Zerbini.
Em 1957, esteve em Uberaba, onde exerceu a docência em Anatomia Topográfica e desenvolveu seu primeiro modelo de coração artificial, que utilizava um oxigenador de disco e uma bomba de rolete. Ao longo de sua carreira, foi responsável por diversas inovações na medicina, destacando-se o desenvolvimento da técnica cirúrgica para o tratamento da transposição das grandes artérias — conhecida como cirurgia de Jatene — e a criação do primeiro coração-pulmão artificial do Hospital das Clínicas.
Além da carreira acadêmica e científica, Jatene exerceu funções públicas de destaque. Foi secretário de Estado da Saúde de São Paulo e ministro da Saúde em duas ocasiões: durante o governo de Fernando Collor de Mello e, posteriormente, no governo de Fernando Henrique Cardoso. Foi membro da Academia Nacional de Medicina e recebeu importantes distinções, entre as quais o Prêmio Anísio Teixeira (1991), a Ordem do Mérito Militar no grau de Grande-Oficial Especial (1992) e a Grã-Cruz da Ordem do Ipiranga (2010).
É frequentemente associado à criação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), concebida como instrumento de financiamento adicional para a saúde pública. Contudo, a vinculação integral dos recursos à área da saúde não se concretizou, resultando, segundo análises posteriores, em perdas orçamentárias para o Ministério da Saúde.
