
Patrona: Rose Marie Muraro
Cadeira: 03
Seção: Letras

Rose Marie Muraro (Rio de Janeiro, 11 de novembro de 1930 — Rio de Janeiro, 21 de junho de 2014) foi escritora, editora, intelectual e uma das principais referências do feminismo brasileiro.
Filha de família de origem libanesa, proveniente de Zahlé, no vale do Bekaa (Líbano), nasceu com severa deficiência visual, condição que não impediu sua destacada atuação intelectual. Estudou Física e Economia e construiu uma carreira marcada pela reflexão crítica sobre sociedade, política, religião e gênero. É autora de mais de quarenta livros e atuou como editora de aproximadamente 1.600 títulos, com destaque para sua longa passagem pela Editora Vozes.
A partir da década de 1970, tornou-se uma das pioneiras do movimento feminista no Brasil, publicando obras de caráter inovador e contestatório. Na Editora Vozes, trabalhou por dezessete anos com Leonardo Boff, período em que esteve associada à difusão da Teologia da Libertação e à consolidação do pensamento feminista no país. Em 1986, ambos foram afastados da editora por determinação do Vaticano, em razão de suas posições teológicas e editoriais, especialmente após a publicação do livro Por uma erótica cristã.
Muraro teve atuação relevante no mercado editorial como forma de resistência intelectual ao regime militar e à censura. Foi palestrante em diversas universidades, incluindo Harvard e Cornell, e editou até o ano 2000 o selo Rosa dos Tempos, da Editora Record.
Recebeu inúmeros reconhecimentos, entre os quais o Prêmio Teotônio Vilela do Senado Federal, o Prêmio Bertha Lutz (2008), e títulos honoríficos concedidos por instituições culturais e legislativas. Pela Lei nº 11.261, de 30 de dezembro de 2005, foi oficialmente nomeada Matrona do Feminismo Brasileiro.
Em meados da década de 1990, aos 66 anos, recuperou parcialmente a visão após cirurgia. Faleceu aos 83 anos, em decorrência de câncer na medula óssea, deixando cinco filhos, doze netos e quatro bisnetos. Seu legado intelectual é preservado pelo Instituto Cultural Rose Marie Muraro (ICRM), criado em 2009, responsável pela guarda de um acervo superior a quatro mil publicações.
